O dinheiro como unidade de medida do ser humano
Os adventos da revolução industrial trouxeram consigo mudanças
significativas na forma como as pessoas entendem o meio à sua volta. A
principal delas talvez seja a nossa incapacidade de avaliar qualquer
coisa fora de uma perspectiva quantitativa, mesmo que de forma indireta.
Ou seja, nossas escolhas são orientadas sempre por quantidades, mesmo
que de elementos intangíveis como o quanto de satisfação ou de prazer
esperamos sentir numa alternativa.
No entanto, quando essas escolhas estão relacionadas a aceitar ou
rejeitar as pessoas do nosso convívio, pode ser difícil encontrar uma
unidade de medida coerente o bastante para definir o quanto bom ou o
quanto importante alguém é.
Tendo em vista a relevância do dinheiro na manutenção da vida, ele
acabou assumindo o papel de principal unidade de medida do ser humano.
Através dele, nós tendemos a estimar o valor das pessoas, e assim nos
sentimos mais ou menos aceitos, de acordo com o quanto somos capazes de
demonstrar essa riqueza. O que normalmente resulta no desejo de consumir
para ostentar o poder aquisitivo, evitando a rejeição dos demais.
O conceito de necessidade é flexível
O fato é que poucas coisas são verdadeiramente necessárias à
manutenção da qualidade de vida e quase todas elas poderiam ser
compradas por um custo muito menor. No entanto, somos capazes de
estabelecer um conjunto de valores e princípios para enviesar o modelo
lógico com o qual fazemos as escolhas. Trata-se de argumentos como "é uma festa importante e por isso eu preciso ir com uma roupa nova"; "eu sempre quis comprar um desses (para enfeitar o interior do guarda-roupas)"; ou o clássico "não, mas eu realmente estava precisando disso (agora que eu vi na vitrine)". Enfim, havendo o desejo, nós esquematizamos a necessidade.
O cérebro e o seu bolso
Há um grupo de estruturas cerebrais que juntas formam o chamado
sistema de recompensa. Através do fluxo de determinados hormônios nessa
região, o cérebro estimula o indivíduo a executar ações que ele acredita
serem necessárias à preservação da sua integridade física.
Esse mecanismo entende a sua aceitação em um determinado grupo social
como sendo um recurso de proteção, e pela sua segurança ele passa a
estimular as ações que deverão trazer o máximo possível desse benefício,
de acordo com as suas crenças, no caso, comprar mais significa ser mais
aceito e por consequência estar mais seguro.
De modo geral, fica clara a relação entre a necessidade de gastar e a
necessidade de ser aceito pelos demais. O que na prática não se
justifica. Precisamos dar um passo adiante na superação desse viés tão
comum e procurar a realização pessoal nas conquistas verdadeiramente
capazes de beneficiar a nós e ao maior número possível e pessoas, o que
quem sabe, venha justamente de um uso mais inteligente do nosso
dinheiro.
Fonte: SOUZA, Pedro. Por que nós gastamos tanto dinheiro? Disponível em:
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/por-que-nos-gastamos-tanto-dinheiro/67602/#.UL5Nya-gO3U.facebook. Acesso em 30 de Novembro de 2012.
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/por-que-nos-gastamos-tanto-dinheiro/67602/#.UL5Nya-gO3U.facebook. Acesso em 30 de Novembro de 2012.
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